Um sistema eletrônico conhecido como “dedo-duro” ajudou a polícia de Santa Catarina a fazer a maior apreensão de peças de carros furtados do Brasil. O fato ocorreu na última semana em Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis e, no desmanche, havia peças de automóveis de luxo, como BMW e Camaro.
De acordo com o delegado Diego Gonçalves de Azevedo, que está à frente das investigações, no local, foram encontradas peças de 48 diferentes veículos e este levantamento foi feito rapidamente, com auxílio de um equipamento com tecnologia ultra avançada composto por inteligência artificial.
Na ocasião, o proprietário e o sócio do estabelecimento, que atuava na região por dez anos, foram presos em flagrante pelo crime de receptação qualificada, que prevê de três a oito anos de prisão.
Agora, as investigações continuam a fim de levantar quanto em dinheiro a empresa movimentava e, também, descobrir se os empresários presos também eram responsáveis ou auxiliavam nos furtos. O que se sabe até o momento é que 95% desses carros foram emplacados em São Paulo.
Para entender como funciona o “sistema dedo-duro” a reportagem conversou com Myro de Araújo, CEO da empresa que desenvolveu o Diagnóstico Inteligente Veicular (DIV), que ajuda na recuperação de veículos com registro de furto ou roubo e, também, na identificação de peças de procedência ilegal que são colocadas à venda em autopeças ou desmanches.
O aparelho funciona da seguinte forma: ele é conectado aos veículos e, em poucos minutos, faz um raio-x completo, com detalhes sobre a condição técnica do carro, manutenção e segurança, informando se os airbags e freios ABS estão funcionando corretamente. Além disso, informa se há adulteração de quilometragem e em peças do automóvel e também destaca a parte ambiental, puxando dados sobre a funcionalidade do catalisador e se o carro está gerando poluição acima do normal.
— O cabo é ligado a um tablet em que o agente visualiza os resultados. Esta plataforma é integrada, é um setor de inteligência, e a gestão do órgão [que utiliza a tecnologia] recebe informações em tempo real. O sistema consulta informações na base do Senatran — explica Myro de Araújo.
Em Santa Catarina, o sistema começou a ser utilizado neste mês pela Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal e, também, em uma operação do Gaeco, braço do Ministério Público catarinense. Apesar de ter chegado só agora ao Estado, o DIV foi desenvolvido há cinco anos e, há dois, auxilia em trabalhos de órgãos oficiais de fiscalização em São Paulo e Rio de Janeiro.
A expectativa, segundo o empresário, é de que nos próximos meses frentes dos governos de Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás também iniciem os testes para implementação do sistema. Há conversas também com o governo chileno e norte-americano.
Segundo o delegado Diego Gonçalves de Azevedo, 95% das peças apreendidas no desmanche em Santo Amaro da Imperatriz são de veículos furtados em São Paulo. Myro, da DIV, reforça que Santa Catarina está no topo da cadeia de venda de peças de origem ilícita no Brasil.
Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que, somente no ano passado, foram roubados e furtados mais de 138 mil veículos em São Paulo. Deste número, menos de 12% foram recuperados. Em todo país, são cerca de 400 mil automóveis.
— As quadrilhas mudaram o formato de atuação. Infelizmente, Santa Catarina não é um estado que o Detran tem a chamada lei do desmanche, que fiscaliza com mais efetividade a venda dessas peças. Portanto, as quadrilhas migram de São Paulo para Santa Catarina. Os roubos acontecem aqui [São Paulo], mas as vendas são em SC — aponta.
Fonte:NSC