Um empresário e ex-prefeito foi preso nesta sexta-feira (19) pela Polícia Civil de Navegantes. A investigação aponta que o homem e outras seis pessoas estariam envolvidos em um golpe que faliu ao menos seis imobiliárias no Litoral Norte de Santa Catarina. Além de Daniel Bosi, que esteve à frente da prefeitura de Ilhota entre os anos de 2013 e 2016, mais duas pessoas são procuradas pelos agentes e outras quatro são investigadas. Os fatos apurados são relacionados à atuação de Bosi como empresário, e não ao período em que atuou como prefeito.
De acordo com o delegado Osnei de Oliveira, os investigados tinham empresas que vendiam seguro-fiança de aluguel. Esta é uma exigência de muitas imobiliárias, pois caso o inquilino deixe de honrar o pagamento a seguradora paga a imobiliária e, posteriormente, cobra do morador. No caso apurado, as empresas simplesmente não pagavam as imobiliárias, que amargavam os prejuízos.
— Inicialmente, as investigações se concentraram nas vítimas que registraram ocorrência em Navegantes, mas é sabido que o grupo atua em várias regiões de Santa Catarina, bem como no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Mato Grosso. O golpe pode superar os R$ 15 milhões, pois nestes locais também lesaram economicamente diversas pessoas — afirma o delegado.
Ainda segundo a polícia, as empresas dos investigados não eram registradas junto à Superintendência de Seguros Privados (Susep). A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 1,5 milhão das contas ligadas aos investigados, que, conforme as autoridades, usavam o marketing nas redes sociais para atrair mais clientes e conferir credibilidade à atuação.
O grupo, que mostrava uma vida de luxo na internet, deve responder por associação criminosa, estelionato e apropriação indébita. Além das prisões, a Polícia Civil de Navegantes também recolheu documentos com os investigados para dar continuidade ao inquérito.
Contraponto
Os advogados Daniel Melim Gomes e Wagner Camilo dos Santos, que atuam na defesa do ex-prefeito Daniel Christian Bosi no caso, divulgaram nota afirmando que as informações divulgadas sobre a investigação “não possuem qualquer respaldo fático” e se tratariam de “interpretações distorcidas que não refletem a realidade dos fatos”. Os defensores afirmam que o cliente irá demonstrar a plena inocência no momento oportuno.
Confira a nota na íntegra:
“DANIEL MELIM GOMES (OAB/SC 11.832) e WAGNER CAMILO DOS SANTOS (OAB/SC 23.015), advogados e representantes legais de DANIEL CHRISTIAN BOSI, vêm a público esclarecer informações recentemente divulgadas em alguns meios de comunicação e redes sociais.
Nos últimos dias, foram veiculadas notícias sobre investigações policiais relativas a supostos atos ilegais, mencionando de forma indevida o nome do nosso cliente. Tais alegações não possuem qualquer respaldo fático, tratando-se de interpretações distorcidas que não refletem a realidade dos fatos.
Desde o início das apurações, o cliente se colocou à disposição das autoridades, tendo inclusive nos constituído como advogados após ter sido procurado de maneira atípica por agentes policiais, por meio de abordagens indiretas e pouco convencionais.
Diante da ausência de retorno efetivo da autoridade policial, o cliente se apresentou formalmente nos autos, por intermédio desta defesa, sem que houvesse qualquer requisição prévia de comparecimento ou de outras providências.
A abordagem realizada para o cumprimento da ordem prisional mostrou-se desnecessariamente truculenta, não havendo elementos que justifiquem a manutenção da custódia cautelar.
A defesa ressalta que a divulgação de informações falsas ou descontextualizadas compromete a honra e a imagem do representado, podendo gerar responsabilidade civil e criminal àqueles que as propagam. Medidas legais cabíveis já estão sendo efetivadas. Confiamos no devido processo legal, no Poder Judiciário de Santa Catarina e na elucidação dos fatos, certos de que o cliente demonstrará sua plena inocência no momento oportuno.
Por fim, reafirmamos nosso compromisso com a transparência e com o esclarecimento dos fatos, permanecendo à disposição da imprensa para informações adicionais que possam ser prestadas sem prejuízo ao andamento do caso.
Fonte:NSC