O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro deve ficar pelo menos mais dois meses preso no Centro de Detenção Metropolitano do bairro Brooklyn, em Nova York, até a próxima audiência do processo a que responde nos Estados Unidos. Maduro prestou o primeiro depoimento na segunda-feira (5), dois dias após ter sido capturado por forças militares norte-americanas em Caracas e levado aos EUA.
Na audiência que marcou o início do processo, o juiz responsável pelo caso, Alvin Hellerstein, decidiu pela continuidade da prisão de Maduro. O ex-presidente se declarou inocente das acusações a que responde, sobre narcoterrorismo e envolvimento com tráfico de drogas. A próxima audiência ficou prevista para o dia 17 de março, às 11h no horário local.
No período até a próxima audiência, a defesa de Maduro poderá apresentar pedidos ou questionamentos à Justiça norte-americana. O advogado de Maduro, Barry Joel Pollack, que já defendeu figuras como Julian Assange, acompanhou o primeiro depoimento de Maduro e pode apresentar solicitações de soltura do ex-presidente. Ele disse que não apresentou pedido de soltura por meio de fiança por considerar a prisão ilegal, mas não descartou fazê-lo posteriormente, no decorrer do processo. Maduro e a esposa Cilia Flores também devem ter direito a visitas do consulado da Venezuela, que já foi autorizada pela Justiça.
A próxima audiência deve funcionar como uma espécie de “pré-julgamento”. O juiz responsável deve apurar se a acusação e a defesa já apresentaram as provas levantadas e pode também definir um cronograma para as etapas seguintes. O julgamento, no entanto, ainda não tem data marcada e costuma ocorrer apenas meses após as primeiras audiências.
Maduro e a esposa respondem a quatro acusações: conspiração narcoterrorista, conspiração de importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos
Como fica o comando da Venezuela?
Com Maduro preso e sem previsão de libertação ou julgamento nos Estados Unidos, o comando da Venezuela neste período começa a receber as primeiras respostas. Na segunda-feira (5), a vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina, cumprindo o que prevê a constituição do país em caso de vacância do cargo de presidente. Ela deve permanecer à frente do país, inicialmente, por até 90 dias, mas o prazo pode ser estendido.
No sábado, após a captura de Maduro, o presidente norte-americano Donald Trump sinalizou que os Estados Unidos iriam governar a Venezuela por tempo indeterminado, até que fosse possível um período de transição. Ele já descartou de início uma possível condução da opositora venezuelana Maria Corina Machado, afirmando que ela não teria “apoio e respeito” da população para liderar o país.
Nos últimos dias, Trump e Delcy Rodríguez deram sinais de aproximação que indicam uma possível aceitação dos Estados Unidos para que a presidente interina fique no cargo após a captura de Maduro. Trump afirmou ainda no sábado que a então vice-presidente iria colaborar — apesar de apontar que, caso não colaborasse, ela poderia “pagar um preço ainda maior do que Maduro”.
Já Delcy Rodríguez, após um primeiro pronunciamento afirmando que Maduro é “o único presidente da Venezuela”, divulgou uma carta ao governo dos EUA afirmando que o país precisa “de paz e diálogo, e não de guerra” e que os países poderiam firmar uma “agenda de colaboração”. Ela definiu como uma das prioridades avançar rumo a uma relação “equilibrada e respeitosa” entre Estados Unidos e Venezuela.
Fonte;Nsc