Os dois tenistas estrangeiros acusados de injúria racial durante um torneio de tênis em Itajaí deixaram o Brasil no último domingo (8). Luis David Martinez e Cristian Rodriguez conseguiram no Poder Judiciário o direito de remover as tornozeleiras eletrônicas, reaver os passaportes e sair do país.
Para isso, porém, tiveram de pagar R$ 20 mil em caução para eventual reparação de danos às vítimas.
O tenista venezuelano Martinez, que fez gestos imitando um macaco, coçando as axilas em direção à plateia, segunda denúncia do Ministério Público, precisou desembolsar R$ 15 mil. A atitude do atleta, registrada por espectadores, seria incitação ao preconceito racial, prevista na Lei 7.716/89.
Já o colombiano Rodriguez, que teria chamado um funcionário do clube onde ocorria o ATP Challenger 75 – Itajaí Open de 2026 de “macaquito de merda”, responde por injúria racial, enquadrado pela Lei 7.716/89. Ele precisou pagar R$ 5 mil de caução, segundo a decisão judicial.
Além dos valores, ambos se comprometeram a participar da audiência prevista para 23 de março. Os tenistas estão em Miami, segundo o advogado de defesa deles, e vão participar da reunião por videoconferência. Eles têm ainda de manter os telefones, endereços e e-mails atualizados no processo.
Martinez e Rodriguez foram presos em flagrante no dia 22 de janeiro, após perderem uma partida para dois brasileiros. Eles foram soltos no dia seguinte, mas precisavam usar tornozeleira eletrônica, entregar os passaportes à Polícia Federal e não podiam deixar o Brasil.
No pedido de revogação dessas medidas, a defesa dos tenistas sustentou que o dispositivo de monitoramento dos atletas atrapalhava os treinos. Argumentou ainda que, por se tratar de tenistas profissionais, o fato de não poderem deixar o Brasil comprometia a carreira de ambos.
Na decisão pela retirada da tornozeleira e pela liberação para deixarem o Brasil, a desembargadora Andrea Cristina Rodrigues Studer disse ser “inegável a extrema gravidade social dos fatos narrados na denúncia”. Mas frisou que não pode haver “uma punição antes do trânsito em julgado de uma sentença”.
Fonte;Nsc