O Brasil formalizou nesta sexta-feira (10) um acordo de cooperação técnica com os Estados Unidos para reforçar o combate ao tráfico internacional de armas e drogas. Batizada de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), a iniciativa prevê troca de informações em tempo real e atuação conjunta entre autoridades brasileiras e norte-americanas.
O acordo envolve a Polícia Federal e a Receita Federal, além de órgãos de controle aduaneiro e fronteiriço dos EUA.
Na prática, o sistema permitirá o compartilhamento contínuo de dados sobre cargas e contêineres, funcionando como um “raio-X” das mercadorias enviadas entre os países. A medida busca preencher lacunas de informação e facilitar o rastreamento de rotas usadas pelo crime organizado.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o cruzamento de dados entre Brasil e Estados Unidos deve aumentar a capacidade de identificação de armas, drogas e outros produtos ilícitos antes mesmo de chegarem ao destino final.
Dados da Receita Federal apontam que, nos últimos 12 meses, foram apreendidos 1,1 mil armas e peças de armamentos provenientes dos Estados Unidos, principalmente da Flórida. Já no primeiro trimestre deste ano, as apreensões de drogas somaram cerca de 1,5 tonelada, com predominância de substâncias sintéticas e haxixe.
O Fisco também identificou mudanças no perfil do tráfico, com maior uso de cargas comerciais, menor sofisticação nos métodos de ocultação e diversificação dos pontos de origem das remessas.
Segundo o secretário da Receita, o compartilhamento de dados detalhados, como número de série, calibre e fabricante de armas deve fortalecer o programa Desarma, do Ministério da Justiça, ampliando o controle sobre armamentos ilegais.
A iniciativa é considerada pioneira e pode ser expandida para outros países. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, deve discutir a ampliação da cooperação em viagem a Washington na próxima semana, durante agendas no Banco Mundial, G20 e Fundo Monetário Internacional.
O anúncio ocorre em meio a discussões internacionais sobre o combate ao crime organizado, incluindo pressões do Donald Trump para classificar facções brasileiras como organizações terroristas medida que é tratada com cautela pelo governo brasileiro.
Fonte;Scc10