O El Niño deve atingir Santa Catarina neste ano. Segundo a Defesa Civil, a passagem do fenômeno pode resultar em enchentes, já que se soma a um período marcado por chuvas intensas no sul do Brasil.
Caracterizado como um aquecimento do Oceano Pacífico na região do Equador, o El Niño é formado a partir da temperatura elevada desse grande bolsão de água, persistindo por vários meses.
El Niño acende alerta para enchentes em SC
O fenômeno atinge as regiões do país de formas diferentes. Enquanto no Norte e Nordeste o El Niño favorece secas severas, no Sul, ele traz chuvas intensas, em um período que já costuma chover bastante, possibilitando assim, a formação das enchentes.
“O que acontece é que a gente tem um grande fluxo que traz toda essa umidade lá da região amazônica, vem pra cá, encontra as frentes frias, os ciclones, isso já traz uma chuva bastante volumosa, que é o normal que a gente já está acostumado aqui no estado. O El Niño potencializa esses eventos que já acontecem. Então é por isso que chama tanta atenção, porque essa chuva mais em excesso e contínua não dá tempo para os rios descarregarem, diminuir o nível, então a gente começa a acumular um solo mais encharcado, o nível dos rios mais altos, e a chuva vem vindo e vem vindo, e não dá uma trégua. É essa persistência que vai aumentando bastante o risco aqui para a nossa região”, explica Caio Guerra, meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina.
De acordo com as projeções, o fenômeno se forma entre maio e junho e persiste na primavera, como já aconteceu em outros anos.
Grandes enchetes como a do Vale do Itajaí, em 1983, e a do Rio Grande do Sul, em 2024, tiveram influencia direta do El Niño. “Só para te dar um contexto, as grandes enchentes do Vale do Itajaí em 1983 foram ligadas a um evento forte de El Niño, e as enchentes do Rio Grande do Sul em 2023 e 2024, também estavam associadas a um El Niño”, segundo a professora Oceanografia e Clima da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Regina Rodrigues.
Estratégias para evitar danos
Tendo em vista esse cenário, profissionais do estado que atuam nas Defesas Civis (estadual e municipal), já elaboram planos de contingência, planejam a implantação de centros logísticos para atendimento em caso de necessidade e outras medidas de prevenção, para evitar maiores danos.
O Coronel Renaldo Onofre Laureano Junior, diretor de Gestão de Risco SDC, destacou a melhoria dos serviços ligados a enchentes no estado. “Nós podemos destacar a plena capacidade de operação das três barragens de contenção de cheia do estado, sendo que a barragem de Ituporanga foi completamente revitalizada e automatizada. A melhoria no serviço de monitoramento e alerta com ampliação da equipe de meteorologia, renovação e ampliação no contrato de previsão hidrológica e a expansão da rede de estações meteorológicas e hidrológicas de 42 para 172 estações no total”.
Em relação as rodovias, onde Santa Catarina apresenta um histórico de ocorrências ligadas a desmoronamentos, deslizamentos e alagamentos, melhorias também foram realizadas pelo Governo estadual e também federal.
“Melhorias foram feitas tanto pelo governo estadual quanto pelo governo federal em trechos historicamente afetados por desastres e aqueles que permanecem com algum grau de vulnerabilidade constam em planos municipais de contingência e são de conhecimento da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil para eventual acionamento de rotas alternativas para operações de socorro e de assistência à população que venha sendo atingida por desastres”, explicou o Coronel.
Além disso, entre as medidas de prevenção, hoje o estado conta com 172 estações meteorológicas e hidrológicas que permitem atualizações constantes e a emissão de alertas mais precisos à população catarinense.
Inverno menos frio
Com a vinda do El Niño, especialistas já preveem um inverno menos frio no estado. “Aqui para o Sul o que a gente observa é que no inverno, antes ali da entrada da primavera as temperaturas costumam ficar mais altas do que o normal então por isso as previsões para esse inverno já estão indicando temperaturas mais altas. A gente não deve ter um inverno tão rigoroso como a gente teve no ano passado que foi um pouco mais frio, um frio mais persistente. Já o frio desse ano deve ser mais curto. A gente vai ter sim, alguns episódios de frio, algumas frentes frias que vão avançar, mas ali um, dois dias o frio já recua e o que a gente deve ter na média é de um inverno mais quente do que o normal”, explicou Caio Guerra.
Fonte:Scc10