Turistas que cruzam a fronteira em direção ao Paraguai para fazer compras têm se tornado alvo de golpistas que se passam por guias. Com promessas de preços muito abaixo do mercado, esses criminosos atraem vítimas para esquemas que, em alguns casos, terminam em extorsão e até sequestro, conforme relatam autoridades paraguaias. Com informações do g1.
Um episódio recente envolve um turista de 27 anos, residente em Maringá, no Norte do Paraná, cuja identidade não foi divulgada.
De acordo com o boletim de ocorrência, ele estava com amigos no centro de Cidade do Leste quando se afastou do grupo e foi abordado por um homem que se apresentou como guia. O suspeito ofereceu eletrônicos e medicamentos a preços baixos.
Ao aceitar a proposta, o jovem foi levado a um cativeiro, onde, segundo a polícia, foi ameaçado de morte por homens armados com fuzis. Os criminosos exigiram o pagamento de R$ 10 mil via Pix para libertá-lo.
A polícia informou que a vítima conseguiu avisar um amigo que vive em Foz do Iguaçu, na fronteira com Cidade do Leste, pedindo ajuda. Desconfiado da situação, o amigo acionou a Polícia Turística do Paraguai.
Durante o deslocamento de moto para buscar o dinheiro, o turista conseguiu fugir e se esconder nas proximidades da Ponte da Amizade. Ele foi localizado e resgatado pela polícia paraguaia.
Três suspeitos foram presos, e o caso segue sob investigação do departamento antissequestro do Paraguai. As identidades dos envolvidos não foram divulgadas.
Mais de 60 casos de extorsão e sequestro em 2025
Somente em 2025, foram contabilizados 67 casos de extorsão e sequestro em Foz do Iguaçu, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp). Nos dois primeiros meses de 2026, já foram registrados outros 16 episódios.
Em ambos os anos, janeiro foi o período com maior número de ocorrências, coincidindo com o aumento do fluxo de turistas entre as cidades de fronteira.
As autoridades apontam que esse tipo de crime costuma começar com abordagens nas ruas, muitas vezes ainda do lado brasileiro, em Foz do Iguaçu.
Como os criminosos agem?
Os suspeitos se apresentam como “guias de compras” e utilizam coletes, crachás ou panfletos para aparentar credibilidade e conquistar a confiança das vítimas.
A polícia paraguaia destaca que não há um serviço oficial de guia de compras no país. No Brasil, por outro lado, a atividade de guia turístico exige cadastro e fiscalização, o que não se aplica a esse tipo de abordagem informal.
Qual a orientação da polícia aos turistas?
Segundo a Polícia Turística do Paraguai, o principal cuidado é desconfiar de preços muito abaixo do praticado no mercado e evitar acompanhar desconhecidos até locais isolados, como becos ou prédios fora da área comercial.
— O recado é claro: ao fazer compras, o produto deve sair da loja com o cliente. Não aceite entregas posteriores e, principalmente, não siga ninguém para lugares afastados — orienta a delegada Clara Silva, da Polícia Turística do Paraguai.
Em situações suspeitas ou em caso de dúvida, a recomendação é procurar a Polícia Turística do país vizinho, que fica logo após a aduana paraguaia.
As autoridades também ressaltam que muitos casos deixam de ser registrados, o que dificulta o enfrentamento desse tipo de crime. Ainda assim, reforçam que as denúncias são essenciais para identificar e responsabilizar os envolvidos.
Fonte:Nsc