A vítima tomava café na cozinha, se preparando para o plantão no Pronto Atendimento de Araquari, quando o marido entrou em casa armado. Era o fim de uma tarde comum na Rua João Luiz Filho, no bairro Porto Grande. Os dois filhos do casal estavam dentro da residência, um de 26 anos e o outro de apenas 7. Nenhum deles imaginava que aquele seria o último café da mãe.
Foram cinco disparos dentro da cozinha. A vítima, técnica de enfermagem de 43 anos, caiu ao chão e morreu ali mesmo, no cômodo onde minutos antes estava tranquila. Mas o horror não terminou nela. Depois de atingir a esposa, José virou a arma contra o próprio filho de 26 anos, que havia corrido até a cozinha ao ouvir os estampidos. O tiro acertou a porta, e não o rapaz. Foi o que separou uma tragédia de uma chacina familiar.
Agora, o Jornal Razão teve acesso ao áudio que o suspeito enviou momentos após o crime, e é ele que revela a frieza do que se passou naquela casa. Na mensagem, mandada a uma familiar por aplicativo, o homem afirma: “matei minha princesa”. Ele diz ter descoberto uma suposta traição e sustenta que a esposa mantinha um relacionamento com o próprio irmão dele, morador de Araquari.
No mesmo áudio, José faz uma revelação que expõe até onde ia o plano. Ele afirma que só não matou o próprio irmão porque bateu a moto durante a fuga e não conseguiu chegar até ele. A intenção, segundo a própria mensagem, era eliminar também o homem que ele acreditava ser o amante da esposa.
O relato do filho mais velho ajuda a montar a cena. Ele contou que o pai, identificado como José, natural do Paraná, chegou do trabalho no fim da tarde. A mãe estava na cozinha, tomando café antes de sair para o plantão, quando começaram os disparos. Ao correr para ver o que acontecia, o rapaz encontrou a mãe já caída no chão e, em seguida, foi ele próprio o alvo.
Movido por um ciúme que a família descreve como doentio, o suspeito já teria feito diversas ameaças ao irmão antes do crime. Parentes da vítima contam que as ameaças dentro daquela casa eram constantes, muitas vezes na frente das crianças, e que ela vivia com medo de que acontecesse exatamente o que aconteceu.
Com receio, a vítima vinha planejando recomeçar longe dali. Ela teria passado em um concurso público e pretendia se mudar para o Rio de Janeiro, mas manteve o plano em segredo, sem contar a amigos nem à maioria dos familiares. O objetivo era deixar Santa Catarina em silêncio, sem alarde, e construir uma vida nova. Ela também estava perto de concluir um curso de farmácia, que terminaria no fim deste ano.
Após os disparos, José fugiu em uma motoneta Honda Biz e tomou rumo ignorado. A Polícia Militar isolou a cena e acionou a Polícia Civil e a Polícia Científica. O caso é tratado como feminicídio consumado e tentativa de homicídio, e o autor segue foragido.
Fonte:Jornal A Razão