Um homem recebeu pena de 37 anos, cinco meses e cinco dias de prisão por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira em Campos Novos. O Tribunal do Júri condenou o réu em regime inicial fechado. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), ele obrigou a vítima a ingerir soda cáustica e depois desferiu uma facada no pescoço dela.
O julgamento ocorreu na última sexta-feira (7/8), no salão do Tribunal do Júri do Fórum da comarca. O réu estava preso preventivamente desde a época dos fatos. Após a leitura da sentença, ele retornou ao presídio para cumprir a pena. Conforme o MPSC, o homem é reincidente criminal.
Crime aconteceu após pedido de medida protetiva
Segundo a denúncia apresentada aos jurados pelo Promotor de Justiça Paulo Roberto Colombo Junior, o crime aconteceu em 1º de setembro do ano passado.
Poucos dias antes, conforme o MPSC, o homem teria ameaçado a ex-companheira de morte com uma faca porque não aceitava o fim da relação. Diante disso, a vítima solicitou medidas protetivas de urgência.
Na manhã do crime, o réu descumpriu a decisão judicial e aguardou a mulher nas proximidades do local de trabalho dela, segundo a denúncia. Assim que a vítima chegou, ele subiu de surpresa na garupa da moto e a obrigou a seguir até a casa dele.
Vítima ingeriu soda cáustica e sofreu golpe no pescoço
Ao chegar à residência, segundo a acusação, o homem obrigou a vítima a ingerir soda cáustica. A substância provocou graves queimaduras na boca e na língua, além de intenso sofrimento.
Mais tarde, a mulher estava sentada em uma cadeira, vomitando e sem condições de reagir. Nesse momento, conforme a denúncia, o réu desferiu uma facada no pescoço dela com a intenção de matá-la.
A vítima permaneceu no local por cerca de cinco horas. Posteriormente, a irmã e a sobrinha do homem chegaram à residência, prestaram socorro e acionaram o serviço médico.
Segundo o MPSC, a vítima sobreviveu porque o golpe não atingiu a artéria carótida por meio milímetro e porque recebeu atendimento.
Mulher relatou sequelas durante julgamento
A vítima ficou com sequelas graves. Durante o Tribunal do Júri, ela relatou aos jurados as consequências físicas e emocionais da violência, além dos momentos de sofrimento e medo que enfrentou naquele dia.
O Promotor de Justiça Paulo Roberto Colombo Junior afirmou que a condenação representa uma resposta a um ato de violência contra uma mulher em razão de uma escolha pessoal.
“Não podemos aceitar a banalização da vida. O sentimento de posse e a incapacidade de aceitar um ‘não’ jamais podem ser tratados como justificativas para a violência. A impunidade se alimenta desse ciclo e pode custar vidas, por isso a resposta precisa ser firme, como aconteceu nesse caso”, afirmou o Promotor de Justiça.
MPSC destaca combate à violência contra a mulher
A atuação do MPSC no combate à violência contra a mulher também ganha destaque durante o Agosto Lilás. O mês busca ampliar a conscientização e o enfrentamento da violência doméstica e familiar.
Além disso, a campanha reforça a importância da prevenção, da informação e da denúncia. A iniciativa também busca alertar para sinais de violência que podem anteceder situações mais graves.
Saiba como denunciar violência contra a mulher
Quem souber de algum caso de violência contra a mulher pode procurar os seguintes canais:
Polícia Militar: telefone 190.
Promotoria de Justiça mais próxima;
Ouvidoria do MPSC: atendimento presencial, formulário on-line ou telefone 127 para informações;
Polícia Civil: telefone 181 ou delegacia mais próxima;
Central de Atendimento à Mulher: telefone 180;
Fonte:Testo Notícias