O Supremo Tribunal Federal (STF) restringiu o acesso de jornalistas ao plenário durante a sessão desta terça-feira (15), que pode definir os próximos passos da apuração envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Apenas profissionais previamente credenciados pelo Cerimonial da Corte poderão acompanhar os trabalhos dentro do espaço.
A sessão começa às 10h e terá como um dos principais pontos a análise de um relatório da Polícia Federal com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os ministros vão avaliar se as informações divulgadas pelo ministro André Mendonça podem ser utilizadas no caso.
A partir dessa análise, o STF poderá decidir se há elementos para abrir uma investigação formal contra Moraes ou se o material será arquivado.
Os jornalistas que fazem a cobertura diária do tribunal poderão acompanhar a sessão a partir do comitê de imprensa. Os demais profissionais deverão permanecer na área externa, na marquise.
Segurança será reforçada
O acesso ao plenário será permitido apenas a pessoas previamente credenciadas pelo Cerimonial do STF, pelos locais indicados pela Polícia Judicial.
Os celulares deverão permanecer desligados e lacrados em sacolas de segurança durante toda a sessão. O rompimento do lacre poderá resultar na retirada da pessoa do plenário.
A Esplanada dos Ministérios também será fechada na altura das bandeiras.
Ex-ministros do STF poderão acompanhar a sessão presencialmente. Até esta segunda-feira (14), nenhum havia solicitado acesso ou recebido convite prévio. Caso compareçam, poderão entrar.
STF diz que ministros fizeram sugestões
Em nota, o STF informou que a decisão de restringir o acesso ao plenário não partiu exclusivamente da Presidência. Segundo o tribunal, foram recebidas “sugestões e recomendações dos ministros e da ministra”.
O ministro Flávio Dino afirmou que não foi consultado sobre a medida. Segundo ele, caso tivesse sido ouvido, se manifestaria a favor da presença dos jornalistas no plenário.
A sessão será transmitida pela Rádio e TV Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube.
Abraji critica decisão
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a restrição e afirmou que a medida contraria o princípio da publicidade dos atos judiciais.
Para a entidade, a decisão também limita a cobertura independente da sessão que vai analisar a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
A Abraji reconheceu que a transmissão pela TV Justiça, Rádio Justiça e YouTube garante acesso do público aos trabalhos, mas afirmou que isso não substitui a presença física dos jornalistas, que permite acompanhar aspectos da sessão que não são registrados pelas câmeras oficiais.
A entidade informou que enviou um ofício à Presidência do STF pedindo a revisão da decisão.
Fonte:Scc10