Paulo César Fernandes encontrou dinheiro suficiente para pagar quatro meses de aluguel, mas não pensou duas vezes antes de devolver o que não era dele. A atitude, há 20 anos, acabou despertando uma corrente de solidariedade em Blumenau e deu ao trabalhador a oportunidade de realizar um sonho.
O episódio ocorreu em janeiro de 2006. Paulo, funcionário da URB, trabalhava na limpeza da Rua XV de Novembro, logo após o Stammtisch, quando encontrou uma carteira. Dentro dela havia oito cheques que somavam R$ 2,1 mil. Na época, aos 32 anos, ele morava de aluguel e gastava R$ 450 por mês com moradia.
O dinheiro faria diferença na vida de Paulo, que tinha um plano para melhorar de vida. Ele gostava de jardinagem e queria fazer um curso de paisagismo, que custava cerca de R$ 800 — um valor considerável para ele naquele momento. Mesmo assim, sabia que aquele dinheiro não era seu.
“Não teria coragem de ficar com o que não é meu”
“Nunca teria coragem de ficar com o que não é meu só para realizar esse sonho mais rápido”, contou na época.
A dona da carteira foi localizada graças a uma anotação feita no verso de um dos cheques. Ela era uma comerciante de Gaspar. Depois de devolver os documentos e os cheques, Paulo recebeu R$ 50 da proprietária.
A história, porém, não terminou ali. Um leitor do Jornal de Santa Catarina, onde a história virou notícia, soube do caso e se prontificou a pagar o curso de paisagismo que Paulo queria fazer. A honestidade do trabalhador acabou, assim, dando início a uma corrente de solidariedade.
Fonte:Nsc