Menu
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Novelo de lã em suposto esquema de rachadinha em Blumenau levou a outra descoberta, diz polícia
Por Administrador
Publicado em 03/02/2026 17:16
Segurança

A investigação da Polícia Civil que resultou em uma operação na Câmara de Vereadores de Blumenau e em outros pontos da cidade nesta terça-feira (3) começou por conta de uma denúncia de “rachadinha”, mas trouxe à tona um esquema ainda maior. A revelação foi feita pelo delegado à frente do inquérito, André Gustavo Marafiga, que agora analisará as provas coletadas para poder confirmar todas as suspeitas.

 

Em 2024, um então servidor comissionado denunciou à Civil o suposto esquema de rachadinha que ocorreria no gabinete de Almir Vieira (PP). Na prática, esse crime acontece quando um político indica pessoas a cargos públicos e os escolhidos, em troca, precisam doar parte do salário para ele. Marafiga não detalhou o percentual que seria retirado de cada remuneração, mas afirmou que todo o grupo de Almir Vieira é investigado.

 

Atualmente, o vereador tem 20 indicações no governo e nomes de confiança dele ocupam cadeiras como de secretários municipais, de diretores, de coordenadores e outros. Um dos envolvidos foi detido em flagrante em Blumenau durante operação, por estar com munições sem a devida autorização. Outro foi conduzido por ter em casa R$ 30 mil em espécie. O delegado não divulgou o nome deles ou a função que eles exercem atualmente.

 

 

Contratações sob suspeita

Para além do crime de peculato (no caso específico da rachadinha), a investigação descobriu outro esquema dentro do gabinete: o vereador teria ajudado empresas a serem contratadas pela prefeitura e, em troca, recebido valores delas. Por isso, o inquérito também avalia a possibilidade de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro.

 

— Tem essa suspeita em relação ao recebimento de valores em razão de contratos firmados pela prefeitura, para facilitar o fechamento desses contratos… E lavagem de capitais, que é quando se obtém esses valores ilícitos e se busca ocultar, simular e integrar esse dinheiro ao patrimônio do investigado — explicou o delegado.

 

Entre os 20 mandados de busca e apreensão, dois foram cumpridos na Câmara — um no gabinete de Almir Vieira e outro no de um segundo parlamentar, pois um dos servidores que atua no local teria ligação com o principal investigado. Os demais foram em casas de comissionados ou ex-comissionados e nas empresas suspeitas de corrupção. Além de Blumenau, Balneário Camboriú, Itapema e Videira também tiveram ordens judiciais executadas.

 

Eletrônicos como celulares e notebooks, contratos e documentos foram recolhidos para que a Polícia Científica possa fazer as devidas perícias. Agora, o delegado aguarda esses laudos para dar andamento à investigação. Se as suspeitas forem confirmadas, o vereador pode ser indiciado por peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. Os comissionados envolvidos nas supostas rachadinhas também podem responder pelo crime de peculato.

 

O que diz o vereador

Em nota, Almir Vieira disse que está “à disposição das autoridades e confia plenamente no trabalho da Justiça, certo de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no momento oportuno”. O parlamentar afirmou que não tem muitas informações oficiais sobre o ocorrido, mas que assim que souber as divulgará “com total transparência”.

 

O que diz a Câmara de Vereadores

Também em nota, a Câmara confirmou que a ação da Polícia Civil ocorreu em dois gabinetes e que a investigação se trata de “eventuais condutas individuais de vereadores e/ou assessores, não havendo qualquer apuração direcionada à instituição Câmara de Vereadores de Blumenau, que segue exercendo normalmente suas atribuições constitucionais e administrativas”.

 

A Casa informou que “aguarda informações oficiais da Polícia Civil para obter mais detalhes sobre a operação”.

 

O que diz a prefeitura

Até a publicação desta reportagem a prefeitura ainda não havia se manifestado sobre a suspeita das contratações direcionadas de empresas.

 

 

Fonte;NSC

Comentários