Inúmeros peixes foram encontrados mortos na manhã desta quarta-feira (22), no Rio Itacorubi próximo a Avenida da Saudade, em Florianópolis. A cena impressionou por se tratar de uma área que está dentro de uma unidade de conservação ambiental da cidade.
Segundo as informações do repórter Murilo Mestriner, do SCC SBT, o cheiro no local era muito forte a alguns peixes ainda lutavam para sobreviver, buscando oxigênio fora da água.
Importância da área para o meio ambiente
Em entrevista ao SCC SBT, o professor e biólogo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Horta, explicou a importância da área, onde os peixes foram encontrados mortos, para o meio ambiente.
Segundo ele, os manguezais como esse localizado no Itacorubi, são berçários onde a água é filtrada.“A água passa por aqui, poluentes são removidos, patógenos são removidos e disponibilizadas para o nosso litoral. Isso significa que, se a gente quer praia própria para o banho, é importante ter manguezal saudável. Infelizmente, o que está havendo há muito tempo nessa cidade, é um desprezo com os nossos manguezais”, explicou.
Horta ainda disse que áreas como manguezais e outras regiões de conservação ambiental estão sendo afetadas diretamente pela poluição.
“A poluição está corroendo a sua capacidade de manter a vida e manter, inclusive, o clima do planeta, porque o manguezal também é um sumidouro de carbono. Tem mais carbono no manguezal do que um hectare da Floresta Amazônica, pessoal. Então é um ambiente muito importante”, complementou.
Possíveis causas
Em relação a grande quantidade de peixes mortos, ainda não há como identificar o principal problema, segundo o professor. Entretanto, fatores ligados a poluição podem ser apontados como suspeitos.
“Precisamos reconhecer dois elementos. O primeiro é a poluição crônica. Essa poluição está, de fato, corroendo a capacidade que esses sistemas têm de manter e produzir o oxigênio. Portanto, temos que atacar com urgência a poluição. Além da poluição, o aquecimento do planeta” disse o biólogo.
De acordo com ele, esses elementos favorem eventos como a hipoxia, ou zonas mortas, em que o ambiente fica completamente sem oxigênio. “Então, floração de algas nocivas pode ser mais um elemento que produzem toxinas que vão estar corroendo a saúde desses animais também. Algumas toxinas produzidas pelas algas são ictiotóxicas, o que significa que matam peixe”.
Horta concluiu dizendo que: “é muito difícil a gente, a partir de uma análise preliminar, identificar aquilo que matou. Mas é fundamental destacarmos que, precisamos de um IMA fortalecido, de uma FLORAM fortalecida, para termos a capacidade de fazermos o monitoramento e evitarmos que tragédias como essas aconteçam”.
Ainda durante a manhã desta quarta, a Polícia Ambiental realizou uma coleta para análise, que deve ser concluída em até duas semanas.
Nota
Procurada pela equipe do SCC SBT, a Fundação Municipal do Meio Ambiente (FLORAM), comunicou em nota que as causas ainda não foram determinadas, mas o Instituto do Meio Ambiente (IMA) já foi acionado.
Confira a nota na íntegra:
“A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Fundação Municipal do Meio Ambiente, esteve no local com uma equipe de fiscalização na manhã desta quarta-feira, 22. As causas ainda não foram determinadas. O Instituto do Meio Ambiente (IMA) já foi acionado para a realização de análises da água e dos peixes, procedimento necessário para identificar a origem do ocorrido”.
Já o IMA, após o contato da FLORAM, disse que uma equipe de técnicos seria enviada ao local para realizar as devidas vistorias.
Fonte:Scc10