A falta de informações sobre crianças e adolescentes que perderam as mães em casos de feminicídio motivou uma parceria entre o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e a Polícia Científica. O objetivo é identificar esses órfãos e garantir que eles tenham acesso à rede de proteção e aos serviços necessários.
A iniciativa começou com uma reunião realizada nesta sexta-feira (19/6), conduzida pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT). Hoje, Santa Catarina não possui um levantamento oficial sobre quantos filhos ficaram órfãos após feminicídios. Os registros existentes são fragmentados e nem sempre informam se a vítima tinha filhos ou quantos eram.
Dados preliminares do MPSC apontam que 45,9% das mulheres vítimas de feminicídio tinham filhos em comum com o autor do crime. No entanto, ainda não se sabe quantas crianças e adolescentes foram afetados nem qual é a situação atual de cada um.
Com o levantamento, o MPSC pretende identificar esse público e trabalhar junto à assistência social para avaliar cada caso. A intenção é garantir que essas crianças e adolescentes tenham acesso a apoio psicológico, acompanhamento da rede de saúde e benefícios sociais, como a pensão especial destinada a dependentes de vítimas de feminicídio.
“Sabemos que muitas mulheres vítimas de feminicídio eram mães, mas não temos hoje a dimensão de quantas crianças e adolescentes foram atingidos. Precisamos preencher essa lacuna para que a rede de proteção possa atuar de forma adequada”, destacou a Promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcom.
A parceria com a Polícia Científica busca melhorar a identificação dos casos, já que os processos criminais nem sempre reúnem todas as informações necessárias. A expectativa é que o trabalho permita criar um diagnóstico mais preciso e fortalecer o atendimento a essas vítimas indiretas da violência.
Fonte:Diário da Jaraguá