O novo “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros coloca Santa Catarina entre os estados mais vulneráveis aos impactos da medida. No estado, municípios com forte vocação exportadora devem sentir os maiores reflexos, especialmente em setores que dependem do mercado norte-americano.
Um levantamento baseado em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e análises da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) aponta Joinville, São Bento do Sul, Caçador e Lages entre as cidades mais expostas. A elevada dependência das exportações para os Estados Unidos aumenta o risco de perdas para a indústria, as exportações e o emprego.
Joinville lidera exposição da indústria
Maior polo industrial de Santa Catarina, Joinville está entre os municípios brasileiros mais afetados pelas novas tarifas em valor absoluto das exportações. A cidade concentra empresas dos setores metalmecânico, de máquinas industriais, motores elétricos, compressores e autopeças, que têm os Estados Unidos como um dos principais mercados.
Com o aumento dos custos para acessar o mercado norte-americano, a expectativa é de perda de competitividade da indústria catarinense, afetando também fornecedores e empresas da cadeia produtiva.
Indústria de Joinville está entre as mais expostas ao tarifaço dos EUA | Foto: Divulgação/Wetzel
Assim como Joinville, o Planalto Norte catarinense reúne algumas das cidades mais vulneráveis aos efeitos do tarifaço devido à forte dependência da indústria madeireira e moveleira.
São Bento do Sul, um dos principais polos moveleiros do país, aparece entre os municípios mais expostos. A cidade tem parte significativa das exportações concentrada em móveis de madeira, portas, esquadrias e assentos destinados aos Estados Unidos.
O mesmo cenário preocupa Campo Alegre, Canoinhas, Três Barras, Porto União e Santa Cecília, que também dependem da cadeia da madeira e de produtos florestais.
Indústria moveleira do Planalto Norte está entre os setores catarinenses mais afetados pelo tarifaço dos EUA | Foto: Divulgação/Sindusmobil
No Meio-Oeste do estado, Caçador também aparece entre os municípios mais afetados. Segundo os levantamentos, a cidade lidera as exportações catarinenses de produtos de madeira para os Estados Unidos, com aproximadamente R$ 15,82 milhões em vendas.
Além da madeira beneficiada, a pauta exportadora inclui obras de carpintaria para construção e móveis, segmentos diretamente atingidos pelas novas tarifas.
Serra e Vale do Itajaí também serão impactados
Lages aparece entre os municípios mais expostos por causa das exportações de madeira, papel e celulose.
No Vale do Itajaí, Blumenau, Brusque, Timbó e Massaranduba também devem sentir os efeitos da medida nos setores de máquinas, equipamentos industriais, metalmecânica, máquinas agrícolas e indústria têxtil. A diversificação econômica dessas cidades, no entanto, tende a reduzir parte dos impactos.
Reflexos chegam aos portos
A redução das exportações também pode afetar a logística catarinense.
Portos como São Francisco do Sul e Itajaí podem registrar queda na movimentação de cargas destinadas ao mercado norte-americano, com reflexos para transportadoras, operadores logísticos e empresas ligadas ao comércio exterior.
Portos catarinenses podem sentir impactos com a redução das exportações | Foto: Divulgação/Porto de Itapoá
Cidades mais expostas ao tarifaço
Os levantamentos apontam diferentes níveis de impacto entre os municípios catarinenses.
Impacto crítico
Joinville – metalmecânico, máquinas industriais, motores elétricos e autopeças;
São Bento do Sul – móveis de madeira, portas, esquadrias e assentos.
Impacto alto
Caçador – madeira, carpintaria e móveis;
Lages – madeira, papel e celulose.
Impacto médio a alto
Blumenau e Brusque – máquinas, equipamentos industriais e setor têxtil;
Três Barras, Canoinhas e Porto União – madeira compensada, papel e celulose.
Impacto médio
Timbó e Massaranduba – máquinas agrícolas, metalmecânica e madeira;
São Francisco do Sul e Itajaí – impactos indiretos na atividade portuária.
O que diz a Fiesc?
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) afirma que a nova tarifa amplia a preocupação da indústria exportadora catarinense. Segundo a entidade, a medida reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano e cria mais um desafio para empresas que dependem das exportações.
O presidente da federação, Gilberto Seleme, defende que Brasil e Estados Unidos mantenham as negociações para reduzir os efeitos da medida. A federação também considera importante ampliar a abertura de novos mercados para diminuir a dependência das exportações destinadas aos EUA.
Governo brasileiro aciona OMC contra tarifas dos EUA
Nesta segunda-feira (27) o Governo Federal apresentou um pedido de consultas aos Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A medida contesta as tarifas adicionais impostas pelos norte-americanos sobre produtos brasileiros e questiona a compatibilidade das cobranças com as regras internacionais de comércio.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil considera as tarifas injustificadas e incompatíveis com os compromissos assumidos pelos Estados Unidos no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT 1994). O pedido de consultas é a primeira etapa do processo na OMC e busca uma solução negociada antes de uma eventual abertura de painel de análise.
Fonte:Scc10