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Empresa de móveis de SC começou como marcenaria de carroças e chegou a exportar produtos antes de ter falência decretada
Por Administrador
Publicado em 19/08/2026 07:39
Geral

A tradicional indústria Três Irmãos, de Campo Alegre, cidade do Norte catarinense, começou suas atividades em 1971 como uma marcenaria de carroças na pequena cidade do Norte catarinense. A empresa, que chegou a gerar 500 empregos diretos e indiretos, teve falência decretada após 55 anos de história e, agora, a administradora judicial segue nos trâmites de lacrar as fábricas e levantar de bens. Nos próximos 60 dias, será apresentado o plano de realização do ativo, com posterior avaliação e início dos leilões.

 

A dívida é estimada em cerca de R$ 133 milhões, valor que ainda pode ser reavaliado ao longo do processo. Antes do desfecho, porém, a Três Irmãos construiu uma trajetória de crescimento. O negócio familiar que nasceu com a fabricação de carroças passou a atuar no setor moveleiro, ampliando a produção até alcançar o mercado internacional. Entre os itens fabricados pela empresa estavam cômodas, gaveteiros, racks e outros móveis de madeira.

 

Veja fotos de produtos da Três Irmãos, empresa de móveis de SC:

 

Três Irmãos fabricava desde cômodas, até gaveteiros e hacks (Foto: Divulgação)

 

Três Irmãos fabricava desde cômodas, até gaveteiros e hacks (Foto: Divulgação)

 

Três Irmãos fabricava desde cômodas, até gaveteiros e hacks (Foto: Divulgação)

 

Três Irmãos fabricava desde cômodas, até gaveteiros e hacks (Foto: Divulgação)

 

Três Irmãos fabricava desde cômodas, até gaveteiros e hacks (Foto: Divulgação)

 

 

Em 1990, conforme descrito no documento de recuperação judicial, a Três Irmãos passou por uma reestruturação e redirecionou sua produção de móveis da madeira maciça e para fabricação com madeira de pinus reflorestada. A partir desse momento, a empresa focou suas atividades nos mercados europeu e norte-americano, consolidando-se como uma exportadora.

 

A Três Irmãos foi crescendo e ocupou um importante espaço no mercado de móveis, principalmente ao fazer a primeira exportação para a multinacional sueca Ikea, marca líder global no setor de móveis, em 2009.

 

A expansão prosseguiu em 2016, com a aquisição de uma unidade industrial em Caçador. A planta chegou a processar cerca de 15 mil toneladas de madeira por mês e recebeu investimentos em automação, máquinas, sistemas de gestão e controle de qualidade.

 

Em 2020, a empresa também inaugurou um parque industrial de mais de 16 mil metros quadrados em São Bento do Sul, mas a unidade foi fechada em maio de 2023, o motivo alegado foi a crise financeira após a pandemia. A fábrica chegou a empregar cerca de 500 funcionários diretos e indiretos, incluindo os processos e a cadeia de produção.

 

 

 

Motivo da crise

Três fatores foram apontados como motivos para crise:

 

Crise na logística internacional em 2021, influenciado pela pandemia;

Redução nas vendas e aumento de juros nos últimos anos;

Aumento da matéria prima e aumento do transporte/logística;

Segundo o plano de recuperação judicial, a crise da Três Irmãos começou a se aprofundar em 2021, com os impactos da pandemia sobre a logística internacional. A falta de contêineres, os atrasos nos portos e a escassez de matérias-primas elevaram os custos de produção e dificultaram o atendimento dos pedidos destinados à exportação.

 

O documento aponta que o transporte marítimo de um contêiner chegou a custar cerca de US$ 10 mil, valor sete vezes superior ao registrado antes da pandemia. Sem espaço para armazenar os móveis prontos e diante das dificuldades para embarcar as mercadorias, a empresa chegou a suspender temporariamente a produção.

 

Entre o fim de 2022 e 2023, o cenário foi agravado pela redução das vendas externas e pelo aumento dos juros. Conforme dados citados no plano, as exportações de móveis de Santa Catarina caíram 27,7% em 2023, na comparação com o mesmo período de 2022. A alta no preço da madeira, do MDF, de ferragens, colas, vernizes, energia, combustíveis e transportes também comprometeu o caixa e a competitividade da indústria.

 

Desta forma, a combinação desses fatores teria reduzido a capacidade da empresa de gerar receita e pagar suas obrigações, levando à necessidade de renegociar as dívidas e realizar ajustes operacionais por meio da recuperação judicial, que agora aguarda decisão da Justiça e pode ser convertida para falência.

 

O que levou a decisão?

O pedido de falência havia sido pedido pelo MP em junho de 2026. Ao ser analisado pelo juiz, ele alegou alguns fatores, entre eles o descumprimento de obrigações assumidas no plano de recuperação judicial. Conforme a sentença, ficou configurado o inadimplemento de credores (com saldos em aberto de aproximadamente R$ 210.318,13 e € 175.581,42), além da falta de comprovação da destinação de cerca de R$ 3,25 milhões obtidos com a alienação de ativos anteriormente homologados.

 

Também descumprimento de parcelamentos fiscais. A empresa teve três parcelamentos de ICMS cancelados pelo Estado de Santa Catarina devido ao atraso de três ou mais cotas, além de apresentar inadimplementos perante a Receita Federal.

 

Além disso, o documento aponta o “esvaziamento patrimonial”. Esse esvaziamento foi comprovado pela retirada acelerada e sem autorização judicial de maquinários de grande porte da sede da empresa, pela paralisação total das atividades produtivas desde 14/05/2026 e pela situação de abandono da matriz.

 

A reportagem do NSC Total  tenta contato com a Três Irmãos para manifestação sobre o processo. O espaço segue aberto.

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