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Paraguai vende versões de canetas emagrecedoras; saiba riscos
Por Administrador
Publicado em 22/08/2026 18:45
Saúde

Enquanto a Eli Lilly detém no Brasil a patente da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, laboratórios do Paraguai fabricam e comercializam versões próprias do medicamento no mercado local.

 

Os produtos chamam a atenção de brasileiros principalmente pelos preços mais baixos. Algumas versões paraguaias podem custar uma fração do valor do Mounjaro vendido no Brasil, o que tem aumentado a procura nas regiões de fronteira.

 

No entanto, existe uma diferença importante: o fato de um medicamento ser comercializado legalmente no Paraguai não significa que ele esteja autorizado para venda ou uso no Brasil.

 

A Anvisa já determinou a apreensão e a proibição de diferentes produtos de tirzepatida sem registro sanitário no país. Em abril, por exemplo, a agência proibiu a comercialização, distribuição, importação e uso de produtos identificados como Gluconex e Tirzedral produzidos por empresa não identificada.

 

Por que as canetas são vendidas no Paraguai?

A diferença está relacionada, entre outros fatores, à territorialidade das patentes. A proteção de uma patente é válida nos países em que ela foi solicitada e concedida. Dessa forma, as regras que impedem a fabricação de determinado medicamento em um território não necessariamente se aplicam da mesma maneira em outro.

 

No Paraguai, empresas locais fabricam diferentes versões de tirzepatida e as comercializam sob marcas próprias.

 

Uma reportagem recente também mostrou que o laboratório paraguaio responsável pelo Gluconex avalia solicitar registro do produto à Anvisa para tentar comercializá-lo legalmente no Brasil. A agência, porém, informou que ainda não havia recebido o pedido.

 

Quais são as versões de tirzepatida vendidas no Paraguai?

Entre os produtos encontrados no mercado paraguaio estão:

 

T.G., da Indufar;

Lipoless, da Éticos Scavone;

Tirzec, da Quimfa;

Tirzedral, da Laboratorios Catedral;

Gluconex, da Vicente Scavone & Cia.;

Lipoland, da Landerlan.

As apresentações variam entre frascos-ampola, seringas e dispositivos semelhantes a canetas aplicadoras.

 

Quanto custa a tirzepatida no Paraguai?

O preço é um dos principais atrativos para consumidores brasileiros. De acordo com os valores apresentados na reportagem, versões paraguaias podem ser encontradas, dependendo da marca e da dosagem, por aproximadamente R$ 230 a R$ 900.

 

O Gluconex, por exemplo, aparece em determinadas apresentações por valores próximos de R$ 220, enquanto doses maiores podem ultrapassar R$ 400. Já o Mounjaro comercializado oficialmente no Brasil pode custar mais de R$ 1 mil, dependendo da apresentação e da dose.

 

A diferença de preço ajuda a explicar a procura pelos produtos paraguaios, especialmente nas cidades próximas à fronteira.

 

Canetas paraguaias são iguais ao Mounjaro?

Não é possível afirmar isso apenas pela presença de tirzepatida no produto.

 

A Anvisa esclareceu que é falsa a informação de que testes laboratoriais teriam comprovado a equivalência das canetas paraguaias com os medicamentos registrados no Brasil. Segundo a agência, identificar o princípio ativo não é suficiente para comprovar equivalência, segurança ou eficácia.

 

Uma análise citada em reportagem da Folha encontrou tirzepatida nas amostras paraguaias analisadas, mas o estudo não avaliou características como esterilidade, estabilidade ou segurança clínica. Em uma das amostras, também foi identificada uma concentração de princípio ativo superior à esperada.

 

Por isso, a existência da mesma substância na composição não significa que o produto tenha passado pelas mesmas avaliações exigidas para um medicamento registrado no Brasil.

 

Quais são os riscos das canetas paraguaias?

O principal problema apontado pelas autoridades brasileiras é a falta de registro sanitário e de controle equivalente ao exigido no país. Sem a avaliação da Anvisa, não há a mesma garantia regulatória sobre aspectos como composição, fabricação, estabilidade, armazenamento e segurança do produto.

 

A própria Anvisa alerta que medicamentos sem registro podem representar riscos à saúde. A agência também já proibiu produtos de tirzepatida de determinadas marcas e determinou sua apreensão.

 

Além disso, a agência alerta para possíveis eventos adversos relacionados ao uso inadequado de canetas emagrecedoras. Entre eles está a pancreatite aguda, que pode ocorrer com medicamentos como a tirzepatida e cuja probabilidade pode aumentar quando há uso inadequado.

 

Posso trazer uma caneta do Paraguai para o Brasil?

A situação depende das regras sanitárias brasileiras e da documentação do produto. A Anvisa afirma que medicamentos sem registro no Brasil somente podem ser importados em situações excepcionais, para uso exclusivamente pessoal e mediante o cumprimento dos requisitos estabelecidos pela agência.

 

Portanto, comprar uma caneta no Paraguai e simplesmente atravessar a fronteira com o produto não significa que a entrada no Brasil esteja automaticamente autorizada.

 

A fiscalização sobre esses produtos também aumentou. Em 2026, a Anvisa adotou novas medidas para combater irregularidades envolvendo a importação e a manipulação de canetas emagrecedoras.

 

Anvisa e Paraguai reforçam fiscalização

Em agosto de 2026, Anvisa e Dinavisa, autoridade sanitária paraguaia, firmaram um acordo de cooperação para ampliar a troca de informações e o combate a produtos ilegais. A parceria prevê compartilhamento de dados técnicos, informações sobre boas práticas de fabricação e ações relacionadas à fiscalização de medicamentos.

 

A medida ocorre justamente em meio ao aumento da circulação de canetas de tirzepatida vindas do Paraguai no mercado brasileiro.

 

Fonte:Scc10

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